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HISTÓRICO
A Amazônia já teve o seu período áureo com o advento da valorização
da borracha. Época em que a riqueza que a produção e exportação
da borracha trazia, se expressava através de majestosas construções,
importação de óperas completas e de artistas europeus. Esses
artistas se apresentavam em grandes teatros construídos para
o deleite de uns poucos privilegiados, como é o caso do Teatro
da Paz (Belém) e do Teatro Amazonas (Manaus).
A necessidade de imitar e importar o estilo europeu e o seu
centro cultural mais importante, Paris, se traduzia no comportamento
dos senhores, seu apego ao galicismo, ao vestuário e às preferências
literárias, quase sempre direcionadas a escritores franceses.
As senhoras procuravam sempre estar em dias com os últimos
lançamentos de moda de costureiros franceses, com os artigos
de toucador e outras manifestações absorvidas pela nossa elite
cabocla.
Foi nessa Belém do início do século, em franco crescimento,
que chega ao Pará, Eduardo Tavares Cardoso, que mais
tarde viria a construir o Palacete ou Chalé que hoje abriga
a Biblioteca Municipal Avertano Rocha em Icoaraci.
Eduardo Tavares Cardoso construiu o Chalé com todo esmero
e carinho, tendo inclusive supervisionado pessoalmente as
obras de sua edificação. O estilo eclético do prédio, que
marcou a arquitetura brasileira entre os anos de 1870 a 1912,
trazia detalhes arquitetônicos em grandes belezas como as
torres frontais em estilo gótico com vitrais coloridos.
O avarandado que circundava a casa era feito de galhos e troncos
de árvores revestidos de argila. Mais tarde foram substituídos
por outro avarandado mais trabalhado e mais resistente à chuva
e à umidade.
Com o empenho pessoal de Eduardo, o Chalé foi decorado com
uma variedade imensa de plantas ornamentais da flora regional,
como também foram importados sementes e bulbos da Inglaterra,
Bélgica e Itália para guarnecer os canteiros que rodeavam
a propriedade.
A imaginação paisagística era realmente fértil. O lago artificial
construído do lado direito da casa impunha à localidade um
traço de beleza e encantamento que somente a concepção daquela
época permitia concretizar. Ele não poupou dinheiro nem esforços
para concretizar o seu sonho.
O
terreno amplo, bem situado, permitiu que Eduardo desse asas
à sua imaginação criadora. O que ele imaginou? Um lago ao
redor do Chalé. Um sistema de comportas permitia que as águas
da maré ocupassem o interior do terreno, formando um belo
lago de bom tamanho, onde os familiares e convidados do comerciante
faziam aprazíveis passeios de barco, nos finais de semana.
A decoração do interior do palacete seguia o refinamento ditado
pela metrópole européia. Mobílias talhadas em estilo da época,
quadros do pintor Estrada, lustres com iluminação de acetileno
compunham um ambiente requintado e de conforto acentuado.
Com a chegada da energia elétrica, Eduardo Tavares Cardoso
adaptou a iluminação à nova invenção, sem, contudo abandonar
a antiga iluminação à bico de gás, com luminárias muito bem
distribuídas na parte interior e exterior do prédio. Era uma
espetáculo deslumbrante visualizado por quem passava pela
Baia do Guajará, à noite.
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DESCASO/DETERIORAÇÃO
Com a morte de seu proprietário em 1935, aos 83 anos, o
Palacete Tavares Cardoso foi herdado por sua filha Guilhermina
de Menezes Cardoso. Tempo depois, adoeceu e teve que se
desfazer do imóvel porque não tinha mais condições físicas
de arcar com sua manutenção. O Governo do General Alexandre
Zacharias de Assunção adquiriu o casarão que passou a abrigar
o primeiro ginásio de Icoaraci, o "Avertano Rocha".
Em 1972, na gestão do prefeito Nélio Dacier Lobato (falecido),
o Chalé Tavares Cardoso, passa para o domínio do Município
de Belém, sofrendo pequenas reformas, transformando-se na
Biblioteca Municipal "Avertano Rocha".
O que em épocas passadas tinha sido uma bela mansão entrou
em completa decadência. A falta de cuidado com o patrimônio
histórico da cidade deixou o prédio em condições lastimáveis.
Somente na administração do prefeito Edmilson Rodrigues
e Manfredo Ximenes, a Prefeitura de Belém iniciou a restauração
do prédio, que começou a ser reformado em 1998, através
do Departamento do Patrimônio Histórico-DEPH, da Fundação
Cultural do Município de Belém (Fumbel).
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RESTAURAÇÃO
As obras deram condições para reabertura do chalé, que ficou
muitos anos abandonado e foi quase totalmente deteriorado.
Na primeira etapa foi recuperada a cobertura, o contorno
do telhado e foram consolidadas as estruturas do prédio.
A obra ficou orçada em R$ 125 mil, com recursos próprios,
da Prefeitura de Belém e do Ministério da Cultura.
Na segunda etapa foi feita a estabilização das estruturas
do prédio e reformadas todas as instalações elétricas, hidráulicas
e sanitárias e a pintura geral. Foram gastos R$ 241.544,85
nesta segunda etapa.
Numa próxima etapa da restauração, serão construídas as
divisórias internas e as áreas adjacentes ao prédio, incluindo
o mezanino onde funcionará parte da administração da Biblioteca
Pública Municipal Avertano Rocha. Além disso, será feita
a climatização de toda a estrutura. Ainda nesta terceira
etapa deverão ser reconstruídas as duas torres em rubeloide,
marco característico do prédio e motivo de saudosismo para
a população de Icoaraci. A restauração total está orçada
em R$ 733 mil.
O Chalé Tavares Cardoso, - além da Biblioteca Pública Municipal
Avertano Rocha - abriga hoje o Museu de Tradições Populares,
com um acervo formado por cerâmicas e artesanato em miriti,
além de um espaço para atividades de teatro e dança.
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