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A arqueóloga
norte-americana Ana C. Rosevelt afirma que a cerâmica
do Pará tem sete mil anos, e não quatro mil,
como se acreditava até então. A pesquisadora
garante, ainda, que a cerâmica feita pelos povos que
habitaram a ilha de Marajó é original da região,
e não oriunda de uma produção colombiana
dos Andes, conforme se sustentou durante muito tempo. Divergências
à parte, os pesquisadores são unânimes
ao afirmar que a cerâmica Marajoara está classificada
entre as mais belas e elaboradas do mundo.
No
período que antecedeu a descoberta do Brasil, em 1500,
muitas civilizações habitaram a região
amazônica. A origem desses povos remonta ao ano 980
antes de Cristo. Eles viviam na região de Santarém,
no Rio Tapajós e na Ilha de Marajó, faixas que
cobriam uma extensão de mais de 50 mil quilômetros
quadrados. Até o ano 1350 d.C., quando entraram em
processo de extinção, esses povos produziram
peças de inigualável criatividade e beleza.
Os
estudos falam das diferentes culturas. Mas, de todas elas,
a marajoara foi aquela que mais se destacou entre as cinco
fases distintas classificadas por arqueólogos: Ananatuba,
Mangueiras, Formiga, Marajoara e Aruã.
Na
fase Marajoara (400 a 1650 d.C.), além de se destacarem
como produtores de uma cerâmica altamente elaborada,
os marajoaras tornaram-se conhecidos pelas obras de engenharias.
Durante boa parte do ano, os terrenos da ilha eram cobertos
por água e, para sobreviver no local, eles criaram
elevações denominadas teso, em cima das quais
construíram suas casas, cemitérios e oficinas
de cerâmica. Esses aterros artificiais, em alguns casos,
chegavam a atingir até 200 metros de comprimento por
30 metros de largura e 10 metros de altura. Os tesos são
hoje objetos de estudo de arqueólogos, na medida em
que, muitas vezes, guardam grande quantidade de peças
de cerâmica.
Os
marajoaras criaram e desenvolveram a técnica de excisão
(relevo), empregada na produção de peças
de cerâmica, tanto para uso doméstico como ritualístico.
Entre suas peças, nas quais aplicavam desenhos altamente
elaborados e sofisticados, sobressaem as tangas, urnas funerárias,
vasos e estatuetas.
O
povo marajoara desapareceu em 1350 d.C, somente 150 anos antes
do descobrimento do Brasil, deixando um legado inestimável
de sua parte. Mas para Mestre Cardoso, "a cultura marajoara
será eternizada através de sua cerâmica".
A
fase Aruã (1350 a 1820 d.C.) coincide com a chegada
dos portugueses ao Brasil. O colonizador encontrou na Ilha
de Marajó uma cerâmica pobre, sem qualquer resquício
da beleza que caracterizara as peças da fase Marajoara.
Os aruãs produziram uma cerâmica simples, quase
sempre utilitária, desprovida de formas ou características
próprias. Foram encontrados vasos aruã associados
a pequenas contas de vidros de procedência européia,
o que veio confirmar o contato daquele povo com os portugueses.
A
cerâmica Marajoara foi - e ainda é - altamente
disputada pelos pesquisadores e colecionadores de todo o mundo.
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